O profissional de enfermagem e as condições de trabalho: o caso de uma Unidade de Pronto Atendimento do estado de Mato Grosso

Paulo Cesar Souza, Julia Kerlly Sorati da Silva, Márcio Ìris de Morais, Graziele Oliveira Aragão Servilha

Resumo


As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) desempenham papel de grande importância no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Os profissionais de enfermagem são fundamentais na prestação dos serviços de urgência e emergência, e um dos maiores desafios dessa categoria consiste em garantir condições adequadas de trabalho. Este estudo teve como objetivo analisar as condições de trabalho dos profissionais de enfermagem de uma UPA localizada no estado de Mato Grosso. Trata-se de pesquisa descritiva com abordagem quantitativa, da qual participaram 37 profissionais de enfermagem de diferentes níveis de formação. Os resultados indicaram que 70,27% dos participantes classificam a carga de trabalho como normal e 54,06% consideram o tamanho da equipe adequado. A satisfação com a remuneração foi desfavorável: a soma das respostas "regular" e "ruim" atingiu 62,16%. Quanto à motivação, 37,84% relataram estar sempre motivados e 56,76%, às vezes motivados. Conclui-se que a garantia de melhores condições de trabalho beneficia não apenas o trabalhador, mas também a qualidade dos serviços prestados aos pacientes.

Palavras-chave: Unidades de Pronto Atendimento; Enfermagem; Condições de trabalho.

 

Nursing professionals and working conditions: the case of an Emergency Care Unit in the state of Mato Grosso

ABSTRACT

Emergency Care Units (UPAs) play a key role within the Brazilian Unified Health System (SUS). Nursing professionals are essential in providing emergency services, and one of the main challenges they face is ensuring adequate working conditions. This study aimed to analyze the working conditions of nursing professionals at a UPA located in the state of Mato Grosso. It is a descriptive study with a quantitative approach, in which 37 nursing professionals with different levels of training participated. Results showed that 70.27% of participants considered their workload normal and 54.06% considered the team size adequate. Satisfaction with remuneration was unfavorable: the sum of "fair" and "poor" responses reached 62.16%. Regarding motivation, 37.84% reported being always motivated and 56.76%, sometimes motivated. It is concluded that better working conditions benefit not only the worker, but also the quality of services provided to patients.

Keywords: Emergency Care Units; Nursing; Working Conditions.


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DOI: http://dx.doi.org/10.23973/ras.102.442

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