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ARTIGOS :: ADMINISTRAÇÃO EM SAÚDE
AUTOGESTÃO
Qual a importância dos vários níveis gerenciais para supervisionar trabalhadores?
A organização em que você trabalha, possivelmente não foi construída com os princípios da autogestão. Deve parecer-se mais com uma burocracia, com um conjunto de regras e regulamentos; vários níveis hierárquicos e um conjunto de processos gerenciais tudo para garantir conformidade e previsibilidade.

Há quase um século, Max Weber destacou que controle é a pedra angular de qualquer burocracia. Numa burocracia os gestores são os guardiões que garantem que os empregados sigam as regras, adiram aos padrões definidos e cumpram os orçamentos.

Gerentes custam; com eles aumenta o risco de maus julgamentos; dificulta a tomada de decisão; e frequentemente desautoriza os empregados. Ainda assim a maioria das empresas precisa de mais coordenação do que o mercado sequer consegue ofertar.

Existe alguma maneira de combinar a liberdade e flexibilidade do mercado com o controle que a hierarquia exige? Economistas dirão que é impossível, mas a companhia processadora de massa de tomate “Moning Star”, da California provou o contrário. Há mais de duas décadas ela faz a gestão de seus mais de 400 empregados sem chefias e se tornou a maior processadora de massa de tomate do mundo.

Na “Morning Star”, com receita superior a um bilhão de dólares por ano, ninguém tem chefe; os empregados negociam suas responsabilidades com seus colegas; todos podem gastar o dinheiro da companhia; e cada indivíduo é responsável pela aquisição das ferramentas que necessita para fazer seu trabalho.

Ao transformar a missão da empresa no chefe e verdadeiramente emponderando as pessoas, a companhia cria um ambiente onde todos podem gerenciar a si mesmos.

A proposta da Morning Star tem várias vantagens:
1. Menores custos: a falta de gestores reduz o custeio do efetivo e seus salários. A economia permite que se paguem melhor as demais pessoas e incentive o crescimento da empresa.
2. Maior especialização: como cada um é responsável pela qualidade do seu trabalho os empregados são forçados a desenvolver suas habilidades.
3. Mais coleguismo: puxada de tapete, facada nas costas ou outras politicagens organizacionais diminuem dramaticamente quando empregados param de competir por promoções.
4. Melhores decisões: ao levar a especialização para a linha de frente em vez de estimular uma escalada para a tomada de decisões, a autogestão promove decisões mais rápidas e inteligentes.
5. Melhora a iniciativa: porque são livres para agir as pessoas se tornam mais proativas. Da mesma forma estarão mais dispostos a ajudar seus colegas porque isso melhora sua reputação interna.
6. Maior flexibilidade: as pessoas respondem melhor e se juntam em times para enfrentar desafios e experimentar novas ideias.
7. Mais lealdade: as pessoas terão menor tendência a pedir demissão para ir trabalhar em outras empresas; mesmo os trabalhadores temporários são mais dedicados à organização.

Por outro lado autogestão também tem suas desvantagens.
1. Dificuldade de se ajustar à ideia: nem todo mundo se adapta à autogestão; pessoas que trabalharam toda sua vida em organizações hierárquicas podem não se adaptar à esta proposta.
2. Longa indução: leva tempo para se adaptar; novos empregados podem necessitar de um ano ou mais para se tornarem totalmente funcionais no novo sistema.
3. Desafios da responsabilidade: se os antigos não transmitem fortes mensagens para os novatos que não se adaptam, a autogestão pode se transformar numa conspiração de medíocres.
4. Desenvolvimento: sem uma carreira corporativa para trilhar as pessoas podem achar difícil avaliar seus progressos em relação aos seus colegas. Isto pode ser uma desvantagem se a pessoa quer mudar de empresa.

Fonte:- artigo de Gary Hamel, modificado, que apareceu na Harvard Business Review, de dezembro de 2011.
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