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11/06/19, 15:46
A tecnologia pode ajudar a sustentabilidade do sistema de saúde do Brasil
Nosso país dispende atualmente cerca de 9,5% do PIB no setor da saúde. Porém, estes gastos estão crescendo e na atual evolução breve chegarão a níveis insustentáveis. Mantido a mesma progressão os gastos com saúde deverão atingir cerca de 20% a 25% do PIB em 2030. A contenção dos gastos tornou-se prioridade para a sustentabilidade do setor de saúde brasileiro.

O contingenciamento das despesas assistenciais passa prioritariamente pela melhoria e consolidação dos modelos de atenção aos idosos. Com o envelhecimento da população e perfil atual de custos por paciente assistido os gastos com os idosos chegarão a mais de 20% do PIB até 2035, já que o número de pessoas acima de 60 anos de idade deve triplicar até este ano.

A viabilidade do sistema de saúde brasileiro passa ainda pelo inevitável investimento em saneamento básico. O Brasil necessita investir mais que R$ 10 bilhões/ano, montante previsto para dispêndio em 2019, em ações de saneamento básico. Caso mantido este patamar de investimento, apenas em 2060 se atingirá a meta prevista pelo Plano Nacional de Saneamento Básico – PLANSAB que atenderia plenamente o pretendido no que se refere a saneamento básico.

A expansão e fortalecimento de ações de prevenção de doenças e promoção à saúde trata-se também de importante ação em busca da sustentabilidade do setor da saúde. Campanhas governamentais para a redução do consumo do álcool, incentivo à alimentação saudável, incremento da prática de atividade física seriam sustentáculo da batalha em busca da diminuição de custos da saúde e melhoria da qualidade de vida dos brasileiros.

Paralelamente, o Brasil necessita trabalhar também caminhos como a integração de dados do paciente. O impacto do acesso à informação é imenso, refletindo-se na conscientização do paciente, por meio da disponibilização de informações comparáveis referentes a qualidade das instituições prestadoras de atenção, na possibilidade da tomada de decisões mais fundamentadas e no maior engajamento do cidadão na cobrança de resultados do nosso sistema de saúde. É necessário expandir a utilização de ferramentas analíticas para mapear grupos de risco e prevenir que suas doenças piorem já que grupo de 10% da população gera 44% das hospitalizações. É fundamental contar com recursos como a telemedicina como demonstrou a discussão provocada pela APM em Summit realizado no início do ano. A telemedicina é uma possibilidade de saúde feita a distância, através das tecnologias de informação e comunicação, envolvendo os aspectos de prevenção, promoção, diagnóstico e tratamento de pacientes. Está comprovado que essa ferramenta aumenta o acesso ao serviço de saúde, traz maior resolubilidade e pode ser feita com segurança e qualidade na prática médica. Estimativas demonstram que a telemedicina pode gerar uma economia em torno 50 bilhões de dólares até 2020, em equipamentos e serviços médicos. A otimização dos recursos para a saúde com consequente diminuição dos custos passa necessariamente por diversas ferramentas assistenciais, como saúde digital móvel, telessaúde, e-health, m-health, saúde virtual e saúde conectada.

Para a sustentabilidade do setor de saúde brasileiro além da atenção ao envelhecimento populacional, investimento em saneamento básico, programas de prevenção às doenças e promoção à saúde o uso da tecnologia é necessidade indiscutível.


Milton Osaki
Coordenador do CQH


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30/09/18, 11:32
A discussão de compliance e ética no CQH 2018
O termo COMPLIANCE significa “estar em conformidade com as leis, normas e regulamentos”.
Porém, isoladamente o termo compliance nada significa. O compliance necessita estar inserido no contexto da gestão. Neste panorama o compliance é um instrumento educativo, preventivo e até corretivo.

O PROGRAMA CQH realizará nos dias 28 e 29 de Novembro o CQH 2018, a décima nona edição do Congresso Brasileiro de Qualidade em Saúde. O PROGRAMA CQH é um projeto da Associação Paulista de Medicina – APM e administrado pela Sociedade Médica Paulista de Administração em Saúde-SOMPAS, cujo objetivo é contribuir para a melhoria continua da qualidade hospitalar no Brasil. Neste evento o eixo central das discussões será a ética na saúde.

A discussão de compliance e ética sustenta-se na constatação de que nosso país gasta cerca de 9,3% do PIB em saúde com os resultados que são matéria de capa de jornal pela forma negativa.

O objetivo do CQH 2018 será discutir com os hospitais e "players" do setor a importância da adoção e prática de uma postura de compliance e ética. Neste processo o objetivo é o paciente que terá como ganho a não realização de exames sem necessidade e ter a convicção de que o prestador de serviço não tem nenhum acordo com a indústria farmacêutica ou de equipamentos na prescrição dos tratamentos.

O público alvo do CQH 2018 são profissionais envolvidos com a governança corporativa de hospitais.

No evento serão debatidos com empresários do setor, gestores hospitalares, profissionais da área, fornecedores de insumos, operadoras de saúde e conselhos de classe das categorias profissionais as práticas saudáveis de gestão. As atividades terão como fundo a discussão da conduta moral como parte necessária e integrante de rotinas de governança corporativa.

O crescente envelhecimento da população brasileira, consequente aumento das doenças crônicas no Brasil e elevação dos gastos assistenciais mostra a necessidade de mobilização de toda a sociedade brasileira no sentido de analisar os requisitos legais e regulatórios e lutar pela melhoria da gestão hospitalar sob o risco de inviabilização do sistema da assistência à saúde no país.


Dr. Milton M. Osaki
Coordenador do CQH


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Este é um blog do CQH - Programa Compromisso com a Qualidade Hospitalar. Aqui você vai encontrar novidades sobre nossas atividades e projetos, além de análises sobre temas em destaque na área de gestão em saúde. Não deixe de registrar seus comentários. Sua participação é indispensável para enriquecer este espaço.