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REVISTA DE ADMINISTRAÇÃO EM SAÚDE
ECONOMIA COMPARTILHADA
É um mito?
O jornal The New York Times trouxe à tona recentemente os métodos questionáveis de o Facebook gerenciar a crise iniciada com o uso de dados de seus usuários pela empresa Cambridge Analytica. Entre outras coisas, a COO Sheryl Sandberg teria contratado uma empresa para minar a credibilidade de todos que os criticassem, como o investidor George Soros, uma prática que só uma empresa com o poder de um monopólio pode fazer. No Brasil, o WhatsApp, que pertence ao mesmo Facebook, foi alvo de severas críticas na campanha eleitoral recém-terminada. Diante disso, não é por acaso que surgem cada vez mais vozes criticando a “sharing economy” representada por players como o Facebook. Tim Berners-Lee, o criador da internet, encabeça a lista de críticos e montou uma startup para lançar uma nova internet onde tamanha centralização seja algo impossível. O livro Big Tech – A Ascensão dos Dados e a Morte da Política, prestes a ser lançado no Brasil, condena com veemência essa centralização e chega a chamar a economia do compartilhamento de “mito”. Para seu autor, o pesquisador bielorrusso Evgeny Morozov, colaborador assíduo de publicações como Financial Times, The Wall Street Journal e TheEconomist, os unicórnios do compartilhamento praticam preços baixos só enquanto estão eliminando a concorrência, porque depois precisam compensar os investidores com gordas margens de lucro. Ao mesmo tempo, fontes respeitáveis como a Singularity University atestam que muitas inovações capazes de resolver graves problemas da humanidade estão sendo feitas graças a essa percepção de democratização dos meios de produção. É como se todo ser humano agora se sentisse empoderado a criar algo, bastando-lhe uma ideia na cabeça e uma startup na mão, para parafrasear o cineasta Glauber Rocha.

De muitas maneiras, estamos em uma posição equidistante para opinar a respeito da polêmica. “Há benefícios claros nessa nova economia”, garantem. Mas reconhecem a necessidade de mais discussões sobre o tema e sobre o necessário incentivo à maior concorrência, além de criticarem a ausência quase total desses debates no Brasil. É importante termos um entendimento mais abrangente dessa perspectiva, que envolva todas as variáveis existentes.
A primeira constatação a evidenciar é que se trata de um movimento muito recente e existem mais perguntas do que respostas. Assim, é mandatório nos esquivarmos da tendência por uma visão determinista sobre quais serão os impactos da evolução deste novo mundo.

Por um lado, é evidente a formação de grandes grupos com características monopolistas, e é evidente que eles estão adquirindo uma força inédita na sociedade atual. A concentração e o domínio de volumes gigantescos de informação sobre a vida de milhões de indivíduos em poucos players têm gerado conglomerados com mais poder do que os monopólios da economia tradicional. É inegável que esse é um risco para a sociedade e esse tema deve estar na pauta central de discussões sobre a evolução dessa tendência e seu impacto social.

Já pelo outro lado, a mesma economia do compartilhamento continua a testemunhar a evolução de startups que eram desconhecidas há poucos anos e que hoje são protagonistas em diversos setores de atuação. Essa realidade incrementa o nível de concorrência em segmentos dominados por grandes players e representa uma nova perspectiva de evolução para esses negócios.
Aqui no Brasil mesmo, estamos testemunhando esse segundo lado saudável, em setores tão representativos como o financeiro, logística, alimentação e saúde, entre outros. Hoje esses setores têm protagonistas até então desconhecidos do público tradicional e que trazem uma nova opção a consumidores que, até então, tinham poucas opções concorrentes.

Como sempre, a solução está no equilíbrio. Cada vez mais devemos encontrar soluções para que floresçam novos empreendimentos capazes de oferecer novas opções a sociedade e, ao mesmo tempo, precisamos estar diligentes quanto ao excesso de concentração de poder de grandes players.
Parece-nos que a perspectiva pessimista [do livro Big Tech] tem mais relação com a questão de evolução da macroeconomia nessa nova sociedade do que com a economia do compartilhamento em si – essa, inequivocamente, tem trazido muitos benefícios às pessoas, com a desintermediação de setores inteiros.

Essa visão está mais na esfera da especulação do que na das realidades inequívocas. Só mesmo o tempo irá mostrar se é mais uma teoria conspiratória ou realidade. A realidade atual está bem distante das conspirações. No Brasil estima-se que existam mais de 500.000 motoristas de aplicativos que atendem a mais de 20 milhões de usuários. Boa parte desses consumidores é composto por pessoas que não utilizavam esse modal devido ao seu custo e dificuldade de acesso com rapidez. Boa parte dos motoristas de aplicativos encontraram nesse negócio uma nova fonte de renda e se dedicam a essa nova atividade.
A concorrência será o fiel da balança. Se houver uma evolução do preço desse serviço, achamos que surgirão outras soluções concorrentes que serão uma barreira a essa evolução. Aliás, soluções que consideram outros modais como a bicicleta, os patinetes elétricos e até veículos individuais voadores já estão em teste. Todo grupo econômico busca uma posição favorável na cadeia de valor e tende a monopolizar seu setor de atuação. Mas, enquanto isso, milhões de startups surgem a cada ano orientadas a quebrar cadeias de valor com suas soluções inovadoras. A solução para não corrermos o risco dos grandes monopólios é incentivar a concorrência por meio do fomento ao empreendedorismo e da inovação nas organizações estabelecidas. O risco da concentração de poder sempre esteve presente no ambiente empresarial e agora não é diferente.

Estamos diante de uma perspectiva totalmente nova para a sociedade. Isso demanda muita atenção e muita reflexão da nossa parte sobre os caminhos a serem incentivados. Assusta-nos a inexistência dessas discussões em nosso país, seja pelos governantes, seja pelos formadores de opinião. Estamos à margem de uma reflexão que irá sentenciar o futuro de nosso país para os próximos 100 anos e não encontramos linhas de discussão profundas e consequentes a respeito das opções que iremos adotar como nação.
É necessário nos prepararmos para esse novo mundo. Ele pode gerar inúmeras oportunidades de emprego e renda, mas também pode gerar níveis de desemprego e de precarização do trabalho que serão avassaladores. Talvez esse seja um dos principais paradoxos dessa nova sociedade e vamos ter de achar um jeito de lidar com ele.

Até que ponto a liberdade dos agentes econômicos, sobretudo empresariais, deve ser vigiada? Uma inserção nesse tabuleiro significa intervenção de um terceiro no equilíbrio de forças corporativas, o que sempre é um tema delicado, já que a tendência é isso favorecer alguns e desfavorecer outros.
Mas reconhecemos que deixar que essa evolução aconteça sem nenhum tipo de intervenção pode resultar na dependência da sociedade de poucas organizações empresariais, gerando grupos com uma força inédita na história da humanidade. Não é uma pergunta com respostas fáceis. O melhor caminho é abrir o diálogo com a sociedade para que, juntos, possamos construir a jornada mais adequada ao nosso futuro. Porque o desafio é que ainda não sabemos qual é o melhor caminho.

Por Sandro Magaldi e José Salibi Neto, no site da HSM. Ambos são coautores de Gestão do Amanhã – Tudo o que você precisa saber sobre gestão, inovação e liderança para vencer na 4ª Revolução Industrial e de O novo código da cultura: Transformação organizacional na gestão do amanhã
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