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IMPACTO DA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NAS ORGANIZAÇÕES
Como a tecnologia modifica hábitos
Como a tecnologia modificou hábitos, valores e costumes de maneira profunda, a transformação digital nas grandes empresas se tornou uma adaptação necessária. Trata-se de um reposicionamento diante da pressão externa, fruto de um cenário de mudanças rápidas e constantes.
Ocorre que a dificuldade de implantar mudanças é um traço bastante comum nas organizações desse porte. Muitas vezes, os idealizadores de uma revolução ou reforma interna precisam superar uma longa cadeia de convencimento antes de tirar as ideias do papel.
Não ao acaso, conhecer os impactos da transformação digital pode ser uma etapa importante nessa transição para um modelo mais aderente às exigências do mercado atual. Então, continue lendo este conteúdo e assimile os principais pontos sobre o tema!
O que é transformação digital?
A transformação digital ainda é um terreno relativamente desconhecido pelas empresas. Muitas organizações tratam o processo como uma mudança de dentro para fora ou como um fim em si mesmo, quando, antes de tudo, verifica-se a necessidade de uma mudança cultural.
Hoje em dia, milhares de pessoas têm acesso a uma tecnologia que, outrora, seria inimaginável: um smartphone realiza diversas tarefas impossíveis para os melhores computadores de décadas atrás, por exemplo.
Nesse sentido, a incorporação irreversível das inovações deste século conduz à mudança do jeito como as coisas são feitas e daquilo que as pessoas apreciam. Isto é, há uma transformação de valores, hábitos e costumes da sociedade. Trata-se, portanto, de uma mudança cultural que se apoia no meio digital.
Com efeito, surge a pressão externa por adaptação das empresas, que precisam aprimorar processos, produtos e serviços para atender às exigências. Logo, a tecnologia, que foi o vetor de transformações sociais importantes, torna-se o instrumento para que a organização faça os ajustes e se mantenha competitiva.
Qual o impacto da transformação digital nas grandes empresas?
O papel básico de um negócio é criar e entregar valor para seus clientes. Consequentemente, uma mudança naquilo que as pessoas desejam ou necessitam se reflete na gestão, liderança, cultura e estratégia das organizações – e lutar contra isso pode ser uma tarefa inglória.
Essa pressão é trazida por consumidores já inseridos no mundo digital, logo, mais exigentes, maduros e com voz ativa sobre os produtos e serviços postos no mercado. Exemplos das novas exigências de clientes potenciais e convertidos são os seguintes:
Sustentabilidade
As pessoas têm uma preocupação genuína com o sustentável em diferentes aspectos, como ética, meio ambiente e economia. Dessa forma, comumente, denunciam práticas que se opõem a esse princípio, reconhecendo a boa conduta das empresas.
Cooperação e compartilhamento
O sentido de propriedade também sofreu alterações com os novos tempos. Tornou-se comum as pessoas abandonarem seus automóveis para usar bikes patrocinadas, Uber, Cabify e outros recursos compartilhados – sem contar as soluções que, aos olhos do consumidor, seriam gratuitas, como aplicativos de carona ou uma simples caminhada.
Por outro lado, nesses mesmos exemplos, muitos bens de consumo passam a integrar a criação e entrega de um valor para os demais, como no caso dos motoristas que utilizam o veículo particular em apps de transporte. Sendo assim, surge uma nova dinâmica em que cooperação, compartilhamento, “empoderamento” de consumidores e eliminação de intermediários ganham a frente dos usos individuais da propriedade. O ter fica em segundo plano em relação à exploração efetiva do recurso.
Instantaneidade
O consumidor atual é alguém que se acostumou a não esperar, o que contrasta frequentemente com os processos morosos de muitas empresas. Algumas organizações são do tempo em que se aguardava a revelação do filme para acessar as imagens capturadas, enquanto as gerações de hoje vivem em um mundo de visualização em tempo real nos smartphones.
Custumer centric
As organizações atuais também encontram o desafio de se tornarem centradas nas necessidades dos clientes. A transformação digital das grandes empresas deixou de ser apenas um instrumento de mudanças internas (de rotinas e processos com ERPs, por exemplo) e passou a ser exigida na maneira de atender ao consumidor.
Resumidamente, a adaptação da liderança, gestão, estratégia e cultura da organização a essas novas demandas é o principal impacto da transformação digital. Não à toa, pois é algo que merece uma atenção especial das grandes empresas.
Como as empresas podem se adaptar a essas inovações e mudanças?
Para o sucesso da transformação digital, não há necessidade de migrar todos os processos analógicos do dia para a noite. Embora transversal, ou seja, com impacto que percorre todas as áreas do negócio, é possível pautar a mudança por um processo de construção de pilares.
A partir deles, o modelo é estruturado gradualmente, permitindo que mesmo um empreendimento de grande porte se adapte aos novos patamares. Os quatro principais pontos são os seguintes:
1. Revisão de processos
A transformação requer a mudança dos processos da empresa, mesmo quando já bem estabelecidos. Para tanto, é preciso mapear e revisar as práticas existentes com três finalidades:
• Verificar a viabilidade da transição do analógico para o digital, porque tudo o que puder migrar, via de regra, deve ser migrado;
• Buscar maior agilidade, especialmente em pontos como redução da burocracia e do esforço do cliente para ter acesso às soluções;
• Ser customer centric, ou seja, orientar os processos com base nas necessidades reais dos clientes e não em suposições ou ideias vagas a esse respeito.
2. Criação de processos
Além de alterar processos, é preciso introduzir novas atividades, as quais estejam aptas a solucionar os novos desafios da empresa – ainda que, muitas vezes, encontre-se certa resistência em grandes negócios. Exemplos importantes são:
• MVP (Mínimo Produto Viável) – elaborar um produto mais rapidamente com uma versão restrita aos requisitos mínimos para ser levado ao mercado;
• Teste de campo – buscar informações sobre a aderência diretamente com os consumidores;
• Shadow testing – trata-se de vender um produto antes mesmo dele ser produzido (muitos usam a pré-venda), de modo que o consumidor não apenas afirme que pagaria pelo bem, mas dê uma demonstração efetiva;
• “Monetização” de ativos – muitas empresas possuem valores que nem sequer imaginam e que podem ser utilizados para capturar recursos – por exemplo, um histórico de 20 anos de notas fiscais emitidas pode ser um ativo relevante de big data.
Um ponto interessante é a validação dessas ideias por startups de sucesso, empresas que, na maioria das vezes, já nasceram inseridas em um contexto de tecnologia.
3. Transformação cultural
Os gestores também precisam conduzir mudanças nos valores, hábitos e costumes internos. Para tanto, o CEO deve liderar o processo, tendo o RH como braço direito, ou seja, trata-se de uma mudança top down (de cima para baixo).
Quanto ao papel do departamento de Recursos humanos, a transformação pode exigir uma mudança nas avaliações, treinamentos, recrutamentos, cargos e funções dentro da empresa, bem como o desenvolvimento de novas estratégias, como o marketing interno.
4. Aquisição de know-how tecnológico
Como a tecnologia é o meio para implantar as mudanças, as organizações precisam ampliar o conhecimento a esse respeito. Uma indústria deve saber sobre indústria 4.0, uma financeira sobre open bank e uma varejista sobre e-commerce, por exemplo.
Nesse sentido, o benchmarking, a parceria com instituições de ensino e, especialmente, a contratação de consultorias especializadas são pontos importantes e que servem de alicerce para a construção desses pilares.
Sendo assim, não deixe de reunir o máximo de conhecimento para implantar a transformação digital nas grandes empresas com o menor número de percalços no meio do caminho.
Fonte:- Edson Dacal, para FNQ.
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