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TERCEIRIZAÇÃO EM INSTITUIÇÕES DE SAÚDE NO BRASIL
Para buscar economia, melhorar a tecnologia ou atingir excelência operacional
Não há um ponto que se sobreponha a outro em termos de maior benefício da terceirização de setores hospitalares. Economia financeira, domínio tecnológico e excelência operacional andam em conjunto. Quando se contrata uma empresa especializada na prestação de serviços, espera-se que esta traga mais tecnologia e melhore a experiência do usuário, traga uma gestão profissionalizada e mais experiente para aquele espaço.
Como qualquer outra contratação, tudo se resume a chegar ao melhor balanço entre as necessidades e o orçamento disponível. Podem-se contratar mais serviços com o mesmo recurso financeiro, mais com menos, ou até menos serviços, mas com maior qualidade, pagando mais por isso. À medida que se entrega um quadro de trabalho que agrega valor, a questão financeira vira um processo de responsabilidade sobre direitos e deveres do que se acordou. Ao procurar a terceirização, o contratante está buscando uma empresa que forneça soluções para o seu negócio. Existe um processo diário muito importante de alinhamento, calibração entre as partes. Isso bem amarrado evita qualquer outra tramitação burocrática no futuro, geração de passivos ou qualquer discussão do que é meu ou é seu.
Há algum tempo havia o receio de barreiras em relação à terceirização em instituições de saúde, que eram antigamente, regidas por gestões familiares e pouco profissionalizadas. Hoje o cenário é diferente. Até mesmo empresas tradicionais estão com uma governança corporativa afiada e prontas para analisar ponto a ponto do negócio com uma visão de valor e experiência do serviço entregue. A grande chave para a fluidez na transição é a comunicação muito bem difundida entre os colaboradores e contratos bem estabelecidos. Deve-se tomar muito cuidado, em todos os níveis, porque a terceirização não pode ser imposta. Ela tem que ser negociada para que faça sentido e exista uma transição adequada.
A terceirização é uma tendência; em muitos casos, a opção por serviços orgânicos encarece o processo e as contas não fecham. Especialmente em hospitais, que terceirizam áreas críticas como segurança e limpeza, é necessário ter pessoas preparadas, que saibam cobrar e executar com profissionalismo a tarefa.
Dizem que processos são processos, por mais que haja uma peculiaridade ou outra em cada setor como ajuste. Talvez isso seja verdade, porém aqui temos um fator a mais na equação: o paciente. Isso significa, sem dúvida, uma dose extra de empatia em contatos diretos. Ninguém vem para o hospital porque quer, vem por um momento difícil. Grande aliado na oferta de valor, a tecnologia tem sido a base para o desenvolvimento dos maiores diferenciais das empresas que terceirizam serviços. A questão é que nem tudo cabe para todo mundo. A tecnologia é taylor made, ou seja, adaptável a cada um. Deve-se tentar trazer a melhor tecnologia dentro do orçamento da organização. Pode-se ter desde equipamentos de última geração até a instalação de uma câmera em local não previsto inicialmente. A inovação e a tecnologia devem vir acompanhadas do discernimento do que é funcional e necessário, para se evitar desperdícios em termos de utilização.
Deve-se destacar a importância de tecnologias preditivas na segurança do setor de saúde. Hoje existem softwares que identificam comportamentos suspeitos, presença de movimentação em locais e horários que supostamente deveriam se encontrar vazios ou até a detecção de roupas inadequadas, por exemplo a falta do jaleco, em áreas clínicas restritas. Esses sinais são enviados como alertas para uma segunda checagem ou obedecem a protocolos pré estabelecidos, como uma chamada ao 190. É diferente ter processos interligados, ferramentas e protocolos do que uma simples vigia a monitores para identificar um movimento estranho. A tecnologia proporciona agilidade, que pode ser decisiva para evitar maiores danos.
Na área de limpeza e manutenção, a tecnologia auxilia no gerenciamento das operações com customização nas atividades diárias de cada time no sistema, tudo exibido em um robusto dashboard. O sistema traz os planos de ação para cada situação, isso gera agilidade e melhor performance na operação. Existe também a possibilidade de integração com dispositivos móveis que promovem informação imediata, monitoramento de pontos críticos através de uma central remota, e leitura de QR code para informações necessárias e de forma prática, como uma checagem de verificação ou confirmação técnica daquele material.
Se for preciso monitorar o nível de uma caixa d’agua em um prédio, que, a depender do volume, a operação fica em risco. Implantamos ali um dispositivo de monitoramento à distância inteligente. A partir da detecção de alguma anomalia, a central é contatada automaticamente requisitando a visita no local. Drones também podem ser utilizados para atividades em altura, ou difícil acesso, para visualização e avaliação do espaço com maior segurança, minimizando riscos para os colaboradores e ganhando produtividade nas tarefas.
É um ponto fundamental disponibilizar meios para que uma pessoa possa pedir seu carro antecipadamente e já saiba em quanto tempo esse veículo vai estar disponibilizado. Existem inúmeras tecnologias de painel de controle, estações de pagamento automático, fluxo de veículos, sinalização… Mas a tecnologia tem que fazer sentido para a necessidade do usuário. Fazendo uma conta por cima, se uma instituição parte de uma autogestão para uma terceirização, em uma operação básica de estacionamento, há pelo menos um ganho de 15%, mas isso depende do tipo de transformação da operação existente e nível de automação.
De forma intangível ou através de indicadores bem mensuráveis, é interessante observar que os benefícios gerados podem percorrer o fluxo inteiro de operações e jornada do paciente. Os executivos apontam melhoras desde a gestão profissionalizada, aumentando a eficiência e rentabilização até a avaliação da experiência do paciente, passando por um aporte de tecnologia mais facilitado. É claro que a transição pode deixar algumas empresas inseguras em um primeiro momento, e existem várias formas de se minimizar o risco. Um grande hospital de São Paulo, há cerca de um ano e meio, decidiu terceirizar a segurança da portaria. Escolheram um modelo no qual uma parte da operação foi terceirizada e outra permaneceu orgânica, para ter certeza de como funcionaria e entender a qualidade na entrega. Recentemente, a instituição realizou um comparativo e optou pela total terceirização.
As últimas décadas foram de quebra de paradigma, inclusive no Brasil. A área da saúde passou a receber a terceirização com muito mais otimismo e perseverança no sentido de contratação e abrir a cabeça para o que o mercado tem para ofertar. As barreiras estão se rompendo e as empresas estão buscando parceiros com aptidões para prover soluções para o seu negócio. Existem empresas altamente capacitadas para suportar as operações de apoio para que a instituição de saúde possa dar foco no seu core business.
Por Fernanda Fortuna, no portal Saúde Business
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