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28/03/16 - Os seis vereadores médicos da capital paulista falam sobre a situação da saúde pública
2016 é ano de eleições municipais. Normalmente, esta época faz com que os parlamentares olhem para trás e identifiquem os seus feitos mais relevantes em prol da população, indiquem onde há espaço para melhorias e, principalmente, busquem votos. Para incluir os médicos da capital paulista no debate político, procuramos fazer um diagnóstico da Saúde da maior cidade do Brasil com os seis vereadores médicos de São Paulo – George Hato, Gilberto Natalini, Jamil Murad, Paulo Frange, Rubens Calvo e Sandra Tadeu.

São eles que buscam, todos os dias, realizar proposições e integrar comissões e debates acerca da Saúde, área que mais causa anseios e preocupação por parte dos eleitores, não apenas da cidade de São Paulo, mas de todos os municípios brasileiros.

Além de atender em seus consultórios, hospitais etc., historicamente, os médicos têm buscado representar seus pares e lutar pelo bem comum nas milhares de Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas, Câmara dos Deputados e Senado Federal, contribuindo para levar a voz da categoria ao conhecimento de todos.

Nos textos abaixo, falamos sobre Organizações Sociais (OSs), Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Assistência Médica Ambulatorial (AMAs), estruturação de uma rede de atendimento, relação entre Prefeitura e governo do estado, falta de leitos e muito mais, confira.


Gilberto Natalini (PV) - Especialista em Gastrocirurgia

"Para avaliar a saúde municipal, temos que entender o contexto em nível nacional. O SUS é um vaso comunicante: você não tem ilhas maravilhosas se não há harmonia no oceano. E hoje, o oceano do SUS está revolto e o sistema em agonia. Em São Paulo, estamos observando uma deterioração do sistema de maneira bastante preocupante. Hoje, a Prefeitura investe em torno de 18% no setor, pouco mais do que a lei exige. Mas já chegou a colocar 20%. Não raro, vemos diversas instituições filantrópicas que não recebem os repasses do poder público, pois não há dinheiro suficiente para a Saúde. Outro ponto: a atual gestão fechou quase 40 AMAs, com a promessa de abrir UBSs integrais. No entanto, essas novas unidades não têm dado conta de absorver a demanda de pronto atendimento e mais de 1.800.000 consultas deixaram de ser feitas nos últimos dois anos. Até agora, foram entregues apenas seis unidades destas novas UBSs – das mais de 40 prometidas. Acredito que o Programa de Saúde da Família é um passo adiante de humanização da Medicina, e deveria começar a ocupar os espaços aos poucos, transformando UBSs em Unidades Básicas de Saúde da Família. A relação institucional entre estado e munícipio é grave também. Basta ver o caso do Hospital Sorocabana, que fechou e voltou ao estado. Fizemos um grande esforço junto às esferas, para que o governo reformasse o hospital, entregasse ao munícipio e fosse reaberto. E chegamos até o ponto de a prefeitura colocar para funcionar o pronto-socorro no local. A reforma já estava combinada e o modelo de gestão com OSs, inclusive, definido. Quando o novo prefeito entrou, os planos foram por água abaixo, por questões políticas, prejudicando a população paulistana.”


Paulo Frange (PTB) – Cardiologista

Temos encontrado muita dificuldade na assistência à saúde em São Paulo, principalmente para manter o quadro de profissionais da área estruturado, mesmo com a recuperação salarial dos últimos anos. A presença das OSs, no entanto, faz com que a situação seja uma das melhores do País. Para o futuro, há três indícios de melhora. Foi iniciado o trabalho do Hospital Santa Marina, com 300 leitos; já está em obras um hospital em Parelheiros (região mais excluída de leitos na Zona Sul da cidade), que deverá estar parcialmente pronto até o final do ano; e ainda este ano deve começar a funcionar uma parte de um hospital na Brasilândia com 250 leitos (outro distrito com grande carência de atendimento, com aproximadamente 400 mil habitantes e nenhum leito). Precisamos, porém, voltar o foco à atenção básica, que foi ficando de lado por conta de outros elementos que foram surgindo, e tentar resolver a dificuldade de colocar médicos onde precisamos.”


George Hato (PMDB) – Médico

"É notório que o serviço público enfrenta uma situação difícil não só em São Paulo, mas em todo o País. Eu, como médico, presenciei dificuldades atendendo nos postos de saúde da Zona Leste. E, agora como vereador, levo esses problemas para o meu mandato, na tentativa de encontrarmos soluções para tais necessidades. Lembro ainda que estamos vivendo um momento delicado e precisamos buscar mais ações no combate ao surte de dengue, zika e chikungunya. O País está em alerta e São Paulo precisa fazer a sua parte. Em meu mandato, destinei mais de R$ 1,5 milhão para a saúde pública. Hospitais como Pari, Santa Marcelina, Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), do Servidor Público, Dia da Hora Certa – Itaim Paulista, Fundação Adib Jatene, Organização Social de Saúde Tiradentes/Guaianases, Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer, diversas UBSs e Programa Saúde no Esporte foram beneficiados com este montante."


Sandra Tadeu (DEM) - Pediatra e sanitarista

"São Paulo é a melhor cidade do País no que se refere à qualidade e modernidade da Saúde. Nós atendemos aqui pessoas de todo o estado, alguns de fora e imigrantes diversos. Portanto, acho que a cidade faz o que é capaz, não há mais para onde crescer. Precisamos de recurso? É claro que sim, mas creio que não é só isso. O Brasil não tem por costume fazer saúde preventiva. Precisamos atuar nisto, ter mais UBSs e tentar deixar os hospitais apenas para atendimentos de maior complexidade. Hoje, o paciente vai ao pronto-socorro com dores de qualquer espécie, o que inviabiliza todo o sistema. Outra necessidade: um plano de carreira estruturado para levar os médicos para as periferias da cidade. Sem garantias de progressão em sua atuação, o profissional não vai trabalhar nestas regiões. Os grandes sanitaristas e servidores públicos não estão mais no sistema público municipal, pois não é mais o que querem.”


Jamil Murad (PC do B) - Ex-diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp)

"Acredito que o sistema de saúde pública municipal esteja organizado, mas ainda é insuficiente para atender as necessidades de uma população de quase 12 milhões de habitantes. Existe uma rede que está se estruturando nas últimas décadas: há 40 anos, na Zona Leste da capital, só havia o pronto-socorro do Tatuapé e, menor, o de São Miguel. Hoje, temos hospital em Ermelino Matarazzo, Itaquera, Guaianazes, Cidade Tiradentes, Itaim Paulista e Itaquaquecetuba, entre outros. Então, não se pode dizer que não houve evolução. Em São Paulo, há uma particularidade, porém. Grande parte dos leitos hospitalares desta metrópole é controlada pelo estado, e um certo número pertence à prefeitura. No campo político, estas duas esferas disputam o poder, o que pode atrapalhar a Saúde. Os órgãos em nível estadual e municipal não possuem a integração que deveriam ter em prol da população. Mesmo quando ambos os níveis estavam com o mesmo partido, havia dificuldade no diálogo. De qualquer maneira, a soma das duas redes atende muita gente. Basta ver quantas pessoas recebem tratamento, realizam cirurgias e transplantes via SUS. Minha esposa, inclusive, realizou uma operação delicada no sistema público, um ambiente que salva vidas. Agora, a população paulistana está descobrindo que os planos de saúde muitas vezes não entregam o que prometem. Podemos melhorar e precisamos de uma administração que potencialize o que pode ser feito, já que também sabemos que falta dinheiro.”


Rubens Calvo (PMDB) - Precursor do Programa Médico da Família

"Estamos muito longe do ideal. A capital paulista apresenta a taxa de 1,33 leito hospitalar para cada grupo de 1.000 habitantes, enquanto o Ministério da Saúde estabelece uma meta de 2,5 a 3 leitos por 1.00 habitantes. O déficit é muito alto. Seria necessário, agora, a criação de cerca de 16.500 novos leitos. Além disso, nos hospitais e postos de saúde existentes faltam equipamentos, pessoal e remédios; boa parte da nossa rede está sucateada. Sem falar da tabela que o SUS paga: todos nós sabemos que o sistema é um marco, uma conquista do brasileiro, mas por falta de investimento está falindo. A cada consulta ambulatorial realizada, por exemplo, em serviços contratados pelo SUS, o médico recebe cerca de R$ 10. Estamos lutando muito agora para que a região da Casa Verde receba uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas. O terreno está disponível – já destinei emenda para isso – e a necessidade é comprovada. Como médico e presidente da Comissão de Saúde da Câmara, também pleiteio a criação de um complexo hospitalar no antigo Clube Matarazzo, que ainda contaria com grande área verde e espaço para esportes. Na Comissão, realizamos várias audiências públicas para debater o tema na cidade de São Paulo, inclusive fazendo intermediações para abertura de hospitais, como também impedindo o fechamento de outros. Caso do Hospital Luiz Gonzaga, na Zona Norte, que vistoriamos, conversamos com o secretário de Saúde e definimos que a unidade seria mantida aberta com verbas suplementares. Por essas dificuldades, o papel da vereança é tão importante: precisamos fiscalizar, cobrar e exigir cada vez mais condições de trabalho e melhor saúde pública para a nossa população. ”


Fonte: matéria publicada na Revista da APM - Edição 675 - Março 2016
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