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Famílias brasileiras desperdiçam até R$ 171 por mês em alimentos
Conclusão é de uma estudo realizado por analista da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
Cerca de 20% do arroz que chega à casa do consumidor da classe média baixa brasileira vai parar no lixo. A conclusão é de uma estudo realizado por Gustavo Porpino, analista da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). No trabalho, ele também estimou perdas consideráveis de feijão, verduras, legumes, pão e macarrão.

As perdas de alimentos no Brasil na lavoura, transporte, armazenagem e comercialização vêm sendo combatidas nos últimos anos por agricultores, associações, entidades, empresas e governos.

Apesar dos avanços, segundo estimativas de 2015 da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), 30% dos alimentos produzidos na América Latina ainda se perdem antes de chegar ao consumidor final.

A pesquisa recém-saída do forno, no entanto, aborda um aspecto pouco estudado: o desperdício de alimentos na ponta final da cadeia, ou seja, na casa das famílias brasileiras.

Após ver, várias vezes, na feira da Rua Caiowá, no bairro Sumarezinho, em São Paulo, montanhas de alimentos ainda próprios para consumo, mas impróprios para comercialização, virarem lixo no dia seguinte, Porpino decidiu pesquisar, para sua tese de doutorado na FGV, o comportamento dos consumidores das famílias da classe média baixa, que representam a maior fatia da população brasileira, em contraponto à ideia de que apenas os abastados esbanjam à mesa. Descobriu que, embora com poucos recursos, as famílias desperdiçam muito alimento todos os dias. Ou seja, jogam dinheiro no lixo.

Estimativas do Instituto Akatu, que há 15 anos trabalha com ações de incentivo ao consumo consciente, indicam que, em média, o brasileiro desperdiça 205 gramas de alimento por dia e cada família (de 3,3 integrantes, segundo o padrão do IBGE) manda para o lixo todo mês R$ 171 em alimentos. Enquanto isso, a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar do IBGE aponta que cerca de 22,6% das famílias ainda são subalimentadas no Brasil, sendo que 3,2% dos domicílios enfrentam situação de fome.

As fases mais críticas do desperdício, segundo a pesquisa da Embrapa, ocorrem antes do preparo do alimento e no armazenamento pós-preparo. “Questões culturais influenciam o desperdício, por falta de planejamento na compra, preparo abundante e descarte das sobras das refeições”, diz Porpino.

Na hora do preparo, a dona de casa tende a exagerar, aliando dois hábitos brasileiros: fartura e hospitalidade. “Sempre pode chegar alguém” e “melhor sobrar do que faltar” são frases que Porpino ouviu aos montes. Depois, vem o principal problema identificado pelo analista: o preconceito contra as sobras.

“As famílias não acham legal aproveitar as sobras. Muitas mulheres me disseram que o marido não gosta do que chamam de ‘comida dormida’ e que o arroz tem de ser sempre fresquinho”, diz Porpino.

E o descarte não é só lixo; alguns destinam as sobras para os cachorros e gatos, mesmo que sejam os dos vizinhos ou da rua. E quem guarda o que sobrou, na maioria das vezes, usa recipientes inadequados e faz o que o analista chama de “procrastinação das sobras”. Ou seja, a comida é “esquecida” alguns dias na geladeira, geralmente em potes de margarina até sem tampa, para reduzir o sentimento de culpa. Mas, depois, o destino é mesmo o lixo.

“Embora a pesquisa tenha sido qualitativa, a partir das minhas observações, estimei que em torno de 20% do arroz preparado não é consumido. Quase a metade das famílias citou ter desperdiçado também feijão ao longo da semana e 38% reportaram ter desperdiçado tanto arroz quanto feijão”, disse o analista da Embrapa.

A pesquisa foi feita em campo com 20 famílias de Itaquaquecetuba, município da Zona Leste que tem a menor renda per capita (R$ 750) da Grande São Paulo, e com dez famílias de baixa renda de Itapoã, no entorno de Brasília. O analista também pesquisou 20 famílias de cinco localidades no condado de Tompkins, Nova York (EUA), que estão inseridas em programas de suplementação alimentar. O objetivo era estabelecer as diferenças entre os consumidores de baixa renda dos dois países.

Descobriu-se que o comportamento de desperdício é semelhante, mas as mães americanas têm mais tendência de usar comidas processadas em vez de cozinhar do zero. Além disso, exageram na quantidade (30%), enchem os filhos e a família de guloseimas para mostrar carinho (20%), o que acaba elevando o volume de sobras das refeições, e têm mais sentimento de culpa do que as brasileiras por não aproveitar as sobras (20%).

No Brasil, 40% são desperdiçadoras de sobras e 25%, ao contrário, são versáteis, ou seja, desperdiçam menos porque reinventam pratos a partir das sobras e veem menos problemas em servir alimentos preparados anteriormente.

Gabriela Yamaguchi, gerente de comunicação e campanhas do Instituto Akatu, que trabalha há 15 anos promovendo ações de incentivo ao consumo consciente, diz que os resultados não surpreendem quem trabalha na área. Em outubro do ano passado, o instituto lançou uma pesquisa sobre os caminhos para estilos sustentáveis de vida. “Identificamos que a adoção de práticas sustentáveis, como o consumo consciente de alimentos, não parece estar relacionada a ser mais jovem ou mais velho, rico ou pobre, homem ou mulher, mas sim à crença em uma visão de mundo que se traduz em práticas sustentáveis no cotidiano. São os valores adotados e compartilhados por essas pessoas que provocam a mudança”, diz ela.

Gabriela e Porpino citam várias ações que podem mudar o mapa das perdas de alimento no início da cadeia produtiva e o desperdício no final. A mais importante é conscientizar a população sobre o valor dos alimentos e da alimentação saudável. Eles sugerem a realização de campanhas que atinjam todo o país, como foi a do cinto de segurança ou a do Zé Gotinha.

“Precisamos de campanhas com personagens inspiradoras, admiradas e que sejam referência para vários tipos de público. Elas devem mostrar que aproveitar ao máximo os alimentos e as sobras não é vergonha. As pessoas têm de se conscientizar de que todo alimento que jogamos fora leva junto água, energia, tempo e trabalho usados para produzir essa comida, além do nosso dinheiro”, diz Gabriela. O Ikatu acrescenta que é necessário colocar o assunto no currículo escolar.

A aprovação da Lei do Bom Samaritano, projeto que está parado no Congresso desde 2005 e que isenta o varejista de problemas ao doar produtos próximos do final da validade para o Banco de Alimentos, é outro item necessário para a mudança, segundo Porpino, assim como alinhar os programas de combate à insegurança alimentar, como a iniciativas de educação nutricional.


Fonte:- Portal G1 - Globo Rural
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