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09/12/15 - Violência contra médicos
Falta de condições no atendimento à Saúde é apontada como principal causa da violência contra médicos
A agressão contra médicos vem ganhando cada vez mais expressão, tanto no sistema público quanto privado de saúde. No Estado de São Paulo, 47% dos médicos conhecem um colega que viveu algum episódio de violência por parte de pacientes. Outros 17% foram vítimas e tiveram conhecimento de colegas que viveram essa situação, sendo que 5% deles sofreram agressão pessoalmente.

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Para compreender melhor a situação, o CREMESP encomendou a pesquisa Percepção da Violência na relação médico-paciente ao Datafolha, ouvindo 617 médicos e 807 cidadãos em setembro e outubro deste ano, na Capital e Interior do Estado.

O resultado dos dois módulos da pesquisa – médicos e população – converge quando se busca entender as causas desse tipo de violência. Para ambos os públicos, o principal fator desencadeante está na sobrecarga do sistema público de saúde, nas más condições de atendimento, com quantidade insuficiente de médicos, medicamentos, aparelhos e leitos, falta de fiscalização dos locais de trabalho, capacitação dos todos os profissionais e campanhas informativas.

A conclusão da pesquisa corrobora a percepção do CREMESP com a situação de violência vivida pelos profissionais médicos em seus locais de trabalho. De maio a dezembro deste ano, o Conselho abriu em seu portal um canal para que os médicos relatassem, sigilosamente, suas experiências com relação ao tema. Foram recebidos mais de 100 depoimentos.
Agressões


Pesquisa com médicos

► 47% tiveram conhecimento de episódios de violência com algum colega;

►17% sofreram violência e tiveram conhecimento de agressões a colegas de profissão, sendo a maioria médicos jovens (78% de 24 a 34 anos) e mulheres (8%) mais que homens (3%); já 5% relataram ter sido agredidos pessoalmente; desses, 20% sofreram agressão física; em 70% desses casos a agressão foi praticada pelo paciente;

► 84% dos que sofreram agressão alegam ter sido atacados verbalmente, 80% sofreram agressão psicológica;

► 60% alegam que os problemas geralmente acontecem durante a consulta;

► 32% dos médicos relataram que episódios de violência acontecem sempre ou quase sempre;

► 85% dos profissionais têm a percepção de que os episódios ocorram mais no SUS.


Pesquisa com população

► 34% dos cidadãos entrevistados afirmam ter passado por alguma situação de estresse no atendimento à Saúde nos últimos doze meses;

► 10% destes relatam ter tomado alguma atitude, como reclamar da qualidade do atendimento médico (6%); reclamar do atendimento na recepção (3%); etc;

► Também entre os que disseram que tiveram um momento de estresse, são poucos os que afirmaram ter praticado agressão verbal; 35% afirmaram que presenciaram este tipo de agressão, 14% presenciaram ameaças psicológicas e 4%, agressões físicas;

►24% destes relatam que o estresse ocorre na recepção do local de atendimento; 9% em procedimentos médicos; 5% na espera pelo atendimento;

► Os agressores se disseram levados pelo comportamento do médico (mal educado, irônico ou desrespeitoso com o médico ou porque teria demonstrado falta de atenção, insensibilidade para ouvir o problema etc), pela qualidade dos médicos (prescrição ou medicação errada, despreparo) ou por conta do atendimento demorado.


Insatisfação pela demora no atendimento é principal causa de violência

Para os médicos:

► 39% dos médicos consideram como principais causas das agressões o comportamento do paciente, que estariam insatisfeitos com a Saúde Pública e descontam nos profissionais;

► 29% disseram que o problema é o atendimento no hospital, com muita demora e que, com isso, o paciente entra no atendimento estressado porque há muitos pacientes e poucos médicos;

► 11% dos entrevistados atribuem o estresse à falta de estrutura, com hospitais superlotados e sem suporte para atendimento.

► 5% admitem que os episódios acontecem por conta do comportamento dos colegas que não atendem como deveriam, não examinam, não dão atenção ou erram diagnósticos.


Para a população:

► 41% dos cidadãos paulistas acreditam que a principal causa das agressões sofridas por médicos é o atendimento (demora, estresse, muitos pacientes para poucos médicos, consultas muito rápidas e superficiais);

►19% dos entrevistados também relataram que se incomodam com o comportamento/postura dos médicos, alegando que eles não dão atenção, são insensíveis, arrogantes, não tem paciência etc.;

► 18% dizem que o atendimento nos hospitais também leva a situações de agressão e reclamam da falta de estrutura, atendimento precário, superlotação e demora para ser atendido no pronto-socorro, entre outros. Essa percepção não sofre muita oscilação em relação ao tipo de atendimento (SUS, saúde suplementar ou particular).


Satisfação dos médicos com a profissão

► Quando pensam na profissão três anos atrás, 55% dos médicos entrevistados disseram que estavam satisfeitos com a profissão, consideração que passou a 45% atualmente;

► Médicos de 24 a 34 anos (61%) e com mais de 60 anos (60%) são os mais satisfeitos com a profissão;

► Para 77% dos médicos as condições de trabalho pioraram nos últimos três anos; e a sensação é maior entre as mulheres médicas (81%) e os médicos jovens (82%); quanto ao local de trabalho, não há muita disparidade: para 78% as condições pioraram no SUS; 77%, no atendimento particular; e 76%, na saúde suplementar.


Satisfação dos pacientes com os serviços de Saúde

►Na percepção dos cidadãos, apesar das queixas e situações que podem gerar estresse, os serviços público e privado têm avaliações semelhantes e boas, principalmente em relação a procedimentos específicos (nota média de 9,5), cirurgias (9,4), internações hospitalares (9) e exames de laboratório (8,3), atendimento médico da rede pública em casa (8,3) e remédios gratuitos (8,2);

► O serviço pior avaliado é o pronto-socorro (6,6), seguido pelos postos de saúde (7,0) e consultas com médicos (7,9).
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