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26/11/15 - Microcefalia e Zika vírus:
Tudo sobre os fatos que podem colocar o Brasil em alerta
De acordo com o Ministério da Saúde, até 21 de novembro, 739 casos suspeitos de microcefalia foram notificados em todo o Brasil. Concentrado especificamente no nordeste, já atingiu 160 cidades de nove estados, sendo Pernambuco o detentor do maior número – 487, seguido pela Paraíba, com 96; Sergipe, 54; Rio Grande do Norte, 47; Piauí, 27; Alagoas, 10; Ceará, 9; Bahia, 8; e Goiás, 1.

A maior suspeita da doença está relacionada ao Zika vírus, cuja identificação em território nacional é datada desde abril. Transmitida pelo Aedes aegypti, vetor comum da dengue e da febre chikungunya, atingiu 18 estados brasileiros nos últimos meses. Em uma semana, o Ministério da Saúde apontou para o aumento de 85% dos registros de microcefalia, também em mais regiões, subindo de 55 para 160 cidades e chegando ao centro-oeste do país.

Na Paraíba, realizou-se o teste no líquido amniótico de dois fetos diagnosticados com microcefalia, o qual passou por análise no Instituto Oswaldo Cruz. Em ambas as amostras foram identificadas presença do Zika vírus.

Apesar do Ministério da Saúde, afirmar que há 90% de chances do alto índice de microcefalia ser causado pelo vírus, é importante alertar que é necessário um estudo apurado para verificar em que situações pôde haver tal relação. Antes de qualquer atestado, é fundamental checar quais outros fatores agem concomitantemente ao Zika para causar a microcefalia. Este é um vírus que existe desde 1954, em humanos, e nunca foi constatada qualquer similaridade com o cenário que vivenciamos agora. É preciso formar um contingente de pesquisa para investigar o que acontece para, então, barrar uma possível epidemia.

Outro fato que está inclinando ao Zika é o fato de os bebês nascerem meses após sua identificação no Brasil, bem como a epidemia ocorrer, essencialmente, no nordeste, local de maior concentração dos casos. Não somente, grande parte das mães apresentou, nos primeiros meses de gestação, febre, manchas pelo corpo e coceiras – sintomas comuns ao Zika.

Ainda não se sabe como e se o vírus exerce seu efeito patogênico para chegar à microcefalia. É possível que exista algum efeito direto sobre o cérebro, causando danos sobre o desenvolvimento, tornando-o menor e com falhas em sua estrutura tecidual. Por ser um vírus da família Flaviviridae, em que outros vírus costumam causar encefalite, essa relação é bem possível. As evidências apontam para um efeito causal entre a infecção pelo Zika Vírus e a microcefalia. É fundamental agora conhecer melhor tal fenômeno e tentar, assim, minimizar sua ocorrência e possíveis danos; além de detectar se é definitivo ou não.

Diferentes agentes podem estar associando-se ao vírus para provocar esta crise. Rubéola; toxoplasmose; desnutrição grave da gestante; exposição a drogas e álcool; infecção congênita por citomegalovírus; e fenilcetonúria materna são algumas das complicações maternas que podem levar à microcefalia e, portanto, devem ser considerados nos grupos de estudos.

Em 22 de outubro, a Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco (SES/PE) comunicou à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS) sobre o aumento dos casos de microcefalia desde agosto. Na ocasião, houve 26 neonatos com microcefalia. Atraindo a atenção de especialistas e autoridades, foi possível constatar que, de janeiro a outubro de 2015, aconteceu uma mudança no padrão de incidência dessa malformação congênita quando comparado aos anos anteriores.

A Secretaria de Saúde do estado uniu forças com o Ministério da Saúde e com a Organização Pan-Americana de Saúde para investigar o chocante aumento – enquanto em todo o ano de 2014 há registro de 12 casos, até o dia 21 de novembro de 2015 há de 487; ou seja, uma taxa mais de 40 vezes maior.

A partir da notificação, a SVS/MS tomou as seguintes ações: notificou a Organização Mundial de Saúde, classificando o evento como potencial emergência de saúde pública de importância internacional, por causar grave impacto e ser um episódio incomum e inesperado; reuniu-se com gestores da SES/PE e especialistas e integrou-se à investigação por meio da Equipe de Resposta Rápida da SVS; ativou o Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública no âmbito do Plano de Resposta; e publicou a Portaria CM nº 1.813, declarando Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, por alteração do padrão da ocorrência de microcefalia no Brasil.

Foi criado um grupo interministerial para tratar do surto de microcefalia espalhado por nove estados brasileiros, acelerando as investigações. Na mira do ataque também está o mosquito Aedes aegypti.

O Grupo Estratégico Interministerial de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional e Internacional (GEI-ESPII) reuniu 19 órgãos e entidades a fim de propor medidas de emergência em saúde pública, com ações urgentes de prevenção, controle, contenção de riscos, danos e agravos.

O Ministério da Saúde envia às Secretarias Estaduais de Saúde orientações sobre o processo de notificação, vigilância e assistência às gestantes e aos bebês diagnosticados com a malformação. Em fase de estudo, o MS afirma que não é possível estabelecer o causador do elevado registro e, por isso, prontifica-se a atualizar as informações passadas aos estados e municípios.

O órgão também orienta que os profissionais de saúde comuniquem imediatamente, por meio de formulário eletrônico, todo caso suspeito de microcefalia; bem como o controle vetorial em áreas urbanas, conforme estabelecido nas diretrizes do Programa Nacional de Controle da Dengue.

Não é a primeira vez que um mosquito transmissor é relacionado a complicações na gestação. As gestantes, naturalmente, já sofrem uma queda na imunidade, tornando o organismo suscetível a manifestações mais graves da dengue e da febre chikungunya – esta, que tem 17.1331 casos notificados em 2015, pode ser transmitida à criança na hora do parto.

A dengue, que já acometeu 1,5 milhão de pessoas este ano, quando transmitida no primeiro trimestre da gravidez, pode aumentar as chances de aborto. Após esse período, a doença pode induzir ao parto prematuro. Há maior incidência de baixo peso dos bebês filhos de mães que contraíram a dengue grávidas. Entre aquelas que não estão completamente curadas, pode haver hemorragia, em situações de abortamento, no parto ou no pós-parto.

A maneira mais eficiente, até onde conhecemos essa doença e em analogia à dengue, é combater o mosquito transmissor, evitando seus criadouros, que, na grande maioria, está no interior dos domicílios. Cada cidadão deve cuidar do seu ambiente, procurando e eliminando focos de proliferação.

Todas as medidas para evitar a picada do mosquito são válidas, mas não protegem completamente. O uso de repelentes é eficaz, porém é necessário reaplicar após algumas horas, principalmente ao suar. Telas de proteção ao dormir, principalmente para bebês e crianças, têm resultados satisfatórios. Contudo, a melhor forma de prevenção é barrar a propagação do mosquito.

Aproximadamente 80% dos criadores do vetor são residenciais, por isso não só providências coletivas são importantes, mas, também, individuais. Simples atitudes são muito eficazes, como: armazenar lixo em sacos plásticos fechados; não jogar lixo em terrenos baldios; fazer furos na parte inferior das lixeiras externas para evitar o acúmulo de líquidos; manter a caixa d’água completamente fechada; não deixar água acumulada em calhas e coletores de águas pluviais; verificar o nivelamento da laje para não criar poças; recolher recipientes que possam ser reservatórios de água parada, como garrafas, galões, baldes e pneus, conservando-os guardados ou tampados; encher com areia os pratinhos dos vasos de planta; e tratar água de piscinas e espelhos d’água com cloro.

Os profissionais da Prefeitura usam o fumacê para eliminar os mosquitos adultos; entretanto, se não forem extintos os focos onde as larvas se concentram, em poucos dias o local estará novamente infectado por transmissores.

O vírus Zika (genoma RNA) é da família Flaviviridae e do gênero Flavivirus; em humanos, causa a doença conhecida como Febre Zika. Encontrado nos macacos em 1947, habitantes da Floresta Zika, em Uganda, contaminou os primeiros seres humanos em 1954, na Nigéria. Chegando à Micronésia, em 2007 e à França em 2013, teve surto no Brasil a partir de abril de 2015, atingindo principalmente a Bahia, onde foram registrados 62.635 casos.

A investigação teve inicio a partir do surgimento de uma doença, até então desconhecida, que afetou várias pessoas com sintomas semelhantes aos da gripe, seguido de exantema e artralgia. Estes sinais foram relacionados ao Zika Vírus por pesquisadores do Instituto de Ciências da Saúde (ISC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), através da técnica de RT-PCR (biologia molecular), que foi utilizada em casos da doença em 19 municípios, como Ilhéus e Itabuna (BA), desde fevereiro de 2015. A primeira amostra de sangue contaminada com este vírus foi descrita em Camaçari (BA), em outubro de 2014.

A semelhança com a dengue vai além da forma de transmissão e no vetor – também está nos sinais e sintomas apresentados: febre; manchas pelo corpo causadas por irritação na pele; dor de cabeça, de garganta e nas articulações; náusea; e mialgia. Um fator diferencial é a presença de conjuntivite em alguns casos.

Seu tratamento é sintomático e as manifestações clínicas são leves. Todavia, na França foram registradas formas clínicas mais graves, associados à Síndrome de Guillan-Barré, e até mesmo manifestações neurológicas como encefalite, meningoencefalite, parestesia e paralisia facial. Vários casos de acometimento neurológico (Síndrome de Guillan-Barré), também têm sido descritos na Bahia.
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