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18/08/15 - Quando teremos a melhor saúde ao menor custo?
A melhor saúde, o melhor tratamento e os menores custos. É esse objetivo triplo (o chamado "Triple Aim") que diversos grupos de saúde ao redor do mundo têm buscado a despeito do pessimismo crônico que atinge o setor.
Há um consenso mundial de que é impossível sustentar o status quo da assistência médica nos moldes atuais. A pressão financeira, agravada pela recessão global, tem empurrado a discussão do custo para o topo da agenda.

As questões agora são: para onde iremos? Como será o novo sistema de assistência médica? Na semana passada, o Hospital Albert Einstein promoveu um fórum latino-americano de qualidade e segurança em saúde em que esse tema foi amplamente discutido, inclusive com o lançamento da versão em português da obra "Pursuing the Triple Aim" (Buscando o objetivo triplo, numa tradução literal), de Maureen Bisognano e Cherles Kenney, editada pelo Institute for Healthcare Improvement (IHI).

É alentador observar que, apesar de tantas más notícias em saúde, há grupos empenhados em melhorar o sistema, ainda que no seu "quintal". No livro são descritas oito experiências, a maioria norte-americanas e uma brasileira.

As iniciativas são focados em ações como a prevenção e controle das doenças crônicas, a segurança dos pacientes, a diminuição do desperdício e a adoção de contratos inovadores que compensem pela qualidade e não pela quantidade de serviço prestado.

Ainda que muitas das ações sejam locais, há um grande potencial de disseminá-las, se houver vontade de gestores e das equipes de saúde aliadas a parcerias efetivas.


DIABETES

Uma das experiências relatadas no livro é a do HealthPartners, maior organização norte-americana de assistência médica sem fins lucrativos, com sede em Minessota (EUA). Entre os trabalhos inovadores está o manejo do diabetes.

Em 2000, o grupo instituiu uma medida ideal para a doença, que inclui controle da glicemia (hemoglobina A1c menor ou igual a 7,9), da pressão arterial (menor ou igual a 139/89), lipídios (lipoproteína de baixa densidade menor ou igual a 99), não tabagismo e uso regular da aspirina.

No início, só 5% dos pacientes atingiram a meta. Hoje, eles chegam a 65%. Os ganhos foram calculados na ponta do lápis pelo HealthPartners. Quando as equipes tratam de pacientes diabéticos de forma efetiva, os custos da assistência atingem em média US$ 1.500 por ano.

Em pacientes com diabetes mal controlado, os custos anuais chegam a US$ 20 mil. Entre os que conseguem um controle adequado da doença, há 364 ataques cardíacos a menos (economia de US$ 26 mil por episódio), 68 amputações de perna a menos (US$ 35 mil), entre outros ganhos.

O segredo do sucesso está no envolvimento de toda uma equipe de saúde, com médico, enfermeiros, educadores em diabetes, farmacologistas clínicos, entre outros, com foco nas necessidades do paciente. Nunca o médico age sozinho.

Cada um tem seu papel. Os farmacologistas, por exemplo, buscam medicações que minimizam os efeitos colaterais ou que diminuam o número de comprimidos a serem tomados (às vezes, duas ou três drogas são necessárias para controlar a pressão arterial do diabético).

Também há ferramentas eletrônicas de suporte clínico (como o Diabetes Wizard) que permitem os clínicos padronizar e personalizar o tratamento.

É verdade que muitos pacientes resistem à adesão ao tratamento e às mudanças de estilo de vida, mas é igualmente verdade que há também muita inércia por parte da equipe de assistência, que precisa ser mudada.


EINSTEIN

Entre as experiências relatadas no livro, o Hospital Albert Einstein relata o trabalho que desenvolve no combate à epidemia de cesarianas que assola o país. As taxas chegam a 90% em hospitais e clínicas privadas. No Einstein, estão em 78%. A instituição integra uma rede de 30 hospitais brasileiros que, em conjunto com a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e o IHI, tentam educar pacientes e equipes assistenciais sobre os benefícios do parto vaginal.

O desafio é grande. Os médicos, em geral, preferem a cesárea por considerá-la mais conveniente. As mulheres, por sua vez, além de não serem estimuladas pelos seus médicos, sentem medo do parto vaginal. Também existem aquelas que agem pela conveniência (de poder agendar a data do parto em torno dos eventos de sua vida).

Outra barreira é o fato de que há uma cultura no país de preferência por um médico em particular. A gestante deseja ser atendida pelo mesmo médico em todas as consultas de pré-natal até o parto do bebê. Ela resiste à ideia de ser atendida por um médico plantonista do hospital que ela não conheça previamente.

Um novo modelo vem sendo estudado no Einstein e nos outros hospitais que integram o projeto. Envolve o trabalho conjunto de vários médicos e enfermeiras obstetras, que assistem a paciente no pré-natal e ficam à disposição para o parto, não havendo "exclusividade" médico-paciente.

Isso acontece mais próximo ao final da gravidez, quando o médico propõe à sua paciente passar em consulta com outros dois médicos, em uma tentativa de fazê-la conhecê-los e, assim, se sentir confortável com eles, sabendo que todos têm a mesma prática.

Mudanças de cultura e de comportamento levam tempo, demandam energia, persistência e investimento. Mas existem processos inovadores ocorrendo pelo mundo que podem funcionar como bússolas, um norte para o nosso sistema de saúde com assistência tão desigual, tão desorganizada e, muitas vezes, tão ineficiente.

Fonte: Folha de S. Paulo – 18.08.2015
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