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Dependência de tecnologia
A linha tênue entre o uso normal e o patológico
Pesquisa realizada pela Universidade Maryland, dos Estados Unidos, revelou que a dependência em tecnologia é semelhante ao do uso de drogas. Ao analisar mil jovens de 17 a 23 anos concluiu-se que 79% deles apresentam desconforto, confusão mental, isolamento, e até coceira, quando submetidos à restrição de eletrônicos. O tema merece devida atenção pois cresce em todo o mundo os casos de nomofobia – desconforto e angústia causados pela incapacidade de comunicação por meio de aparelhos celulares e computadores.

Anna Lucia Spear King, psicóloga, coordenadora do Grupo DELETE (Desintoxicação Digital e Uso Consciente de Tecnologias) do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autora do livro Nomofobia, lançado em março deste ano, pela editora Atheneu, explica que os sinais de vício são nítidos quando começam a prejudicar a vida profissional, social e familiar do individuo.

“Ele não sai de casa, não faz as refeições com a família, ignora o mundo físico ao seu redor e não pratica atividade física. Pode, ainda, haver comprometimentos físicos, como problemas na coluna, na visão e nas articulações”, lista a psicóloga. Além destes, outros sintomas que se manifestam com frequência são a preocupação excessiva com a internet, necessidade de aumentar o tempo online e desequilíbrio emocional após período desconectado.

O uso excessivo da tecnologia pode ser influenciado por fatores ambientais e genéticos que alteram o comportamento do paciente. A busca por esses aspectos pode auxiliar na compreensão do vício, bem como no tratamento e na prevenção. No Grupo DELETE, King informa que recebe um número consistente de pessoas com transtornos sociais e de ansiedade e observou-se a relação com o excesso de utilização de computadores. “Logo após o início da terapia já é relatado uma melhora significativa quanto à dependência”, destaca.

Como forma mais recorrente de tratamento, aplica-se terapia cognitiva comportamental e, a depender dos transtornos originais, como depressão e ansiedade, acompanhamento psiquiátrico e medicamentoso são prescritos.

Independentemente da idade e do sexo, qualquer um está sujeito ao desenvolvimento da nomofobia – o limite entre o uso normal e o abusivo é tênue. Os interesses variam: “as mulheres, as quais mais sofrem com depressão, frequentam mais as redes sociais; os jovens se interessam por games, sobretudo o RPG; já os homens preferem jogos online e sites pornográficos”, relata a psicóloga.

Anna Lucia Spear King relata que recebe muitos pacientes dependentes em jogos eletrônicos usuários de aparelhos celulares indevidamente, como, por exemplo, ao dirigir.

“Deixamos claro como diferenciar esses padrões e nos disponibilizamos para eventuais atendimentos. Contamos com equipe preparada para avaliações e orientações quanto ao bom uso das novas tecnologias. Quando pertinente, oferecemos tratamento psicológico e médico gratuitamente”, esclarece.

O uso consciente é primordial, por isso quando extrapolado deve ser identificado e encaminhado para avaliação e tratamento. Atualmente, em um universo multitelas, não só o individuo, mas também colegas e familiares devem se atentar quando a tecnologia passa a interferir negativamente nas relações intersociais.
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